Da redação Natal
Fotos: Frankie Marcone
A governadora Rosalba Ciarlini pediu nesta segunda que os servidores da saúde encerrem a greve e retornem ao trabalho. A gestora estadual se emocionou durante entrevista concedida à Intertv Cabugi ao ver o desabafo de um pai que perdeu o filho por falta de leito de UTI. Os três principais postos de saúde da capital e da Grande Natal estão lotados.
A governadora fez um apelo aos grevistas, em greve desde o dia 1º de agosto, para que usassem o "espírito humanitário" e negociassem a pauta de reivindicações com a greve encerrada. Ao ouvir o depoimento de um pai que perdeu o filho sem o atendimento em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) nas Rocas, Rosalba se emocionou. "Eu sou mãe, ver uma coisa dessa é muito doloroso", disse.
Rosalba culpou a burocracia e a falta de recursos para a estruturação da saúde pública do Rio Grande do Norte. Ainda sobre a saúde, Rosalba afirmou que o esforço tem sido feito, mas não tem sido possível dar respostas mais rápidas. Em nota (ver íntegra abaixo), o Sindsáude afirmou que tentou negociações durante mais de dois meses com o governo.
"Durante mais de dois meses, nosso sindicato tentou em vão uma negociação com a Secretaria de Administração, que chegou a dizer que 'não tinha agenda' para receber os servidores", diz a nota. O Sindsaúde informa ainda que mantém 30% dos servidores trabalhando, como determina a lei e repudia "a tentativa da governadora de colocar a população contra a greve".
Com a greve dos servidores, as três principais unidades médicas públicas de Natal e da Grande Natal seguiam lotadas. No Hospital Santa Catarina, na Zona Norte, a espera era grande e havia pessoas há quase 24h buscando atendimento ou mesmo informação. Um estudante conseguiu internamento para a mãe apenas com um decisão judicial.
No Hospital Walfredo Gurgel, os corredores estavam lotados. Segundo pacientes, além da falta de pessoal, muitos instrumentos usados para curativos estavam em falta. Do lado de fora, ambulâncias do Samu aguardavam a liberação de suas macas para seguir os atendimentos. Sem poder atuar, os profissionais ficavam esperando a liberação das macas. Enquanto isso, pacientes chegavam em viaturas dos Bombeiros, que auxiliava nos atendimentos. Na tarde de hoje, pelo menos sete ambulâncias estavam paradas sem ter como prestar auxílio.
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